Consulta Teológia Nacional FTL/2012

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Escrito por FTL Campinas Sex, 13 de Abril de 2012 14:29


 

A FTL PERDE UM DE SEUS FUNDADORES CONTINENTAIS MORREU, EM OLINDA, ROBINSON CAVALCANTI

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Reproduzimos abaixo uma nota de pesar da FTL-B. O Bispo Robinson Cavalcanti esteve participando do último encontro do nosso núcleo e seria o preletor do nosso próximo encontro.

"Hoje o dia amanheceu mais triste no Brasil. Ontem o nosso companheiro de caminhada, Robinson Cavalcanti, foi assassinado juntamente com sua esposa. As circunstâncias violentas de sua morte acentuam ainda mais nosso lamento. Estamos todos perplexos com a notícia. Para a família da FTL, o Reverendíssimo Dom Robinson Cavalcanti, Bispo Diocesano da Diocese de Recife da Igreja Anglicana, era simplesmente o Robinson Cavalcanti, que sentava à mesa para conversar e fazer uma refeição juntos, que estava sempre pronto a uma boa roda de conversa, não importando o lugar ou o evento, pequeno ou grande, no Brasil ou no exterior.

 

Robinson Cavalcanti, que foi um dos fundadores da FTL, em 1970,  trouxe enormes contribuições para a igreja brasileira e para todo o mundo. Sempre ativo na FTL foi preletor na nossa última Consulta Nacional. Apesar dos inúmeros compromissos eclesiásticos, se colocava ao lado da FTL atendendo-nos sempre que possível. No final desse mês seria um dos preletores de um Encontro Teológico do Núcleo da FTL Campinas e planejava estar em CLADE 5. Sua lucidez, mente aguçada, inteligência incomum e espírito de serviço caracterizaram seu ministério.

 

Reunimo-nos àqueles que choram sua morte. Podemos dizer que a FTL Brasil sente-se pesarosa pela falta que esse homem de Deus fará entre nós. O nosso consolo é a certeza de que a História não cessa aqui. A Esperança futura nos anima a seguir adiante semeando o Reino de Deus.

 

A Diretoria da FTL Brasil"


Escrito por FTL Campinas Seg, 27 de Fevereiro de 2012 20:54

   

Encontro do Núcleo no Mês de Novembro com o Bispo Robinson Cavalcanti

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Última atualização em Qua, 26 de Outubro de 2011 16:45 | Escrito por FTL Campinas Qua, 26 de Outubro de 2011 16:41

   

Encontro de Setembro

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Escrito por FTL Campinas Ter, 06 de Setembro de 2011 19:16

   

A LITURGIA QUE AGRADA A DEUS

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Luciano R. Peterlevitz1
Miquéias 6.6-8:
Com que me apresentarei ao SENHOR, e me inclinarei diante do Deus altíssimo?
Apresentar-me-ei diante dele com holocaustos, com bezerros de um ano? Agradar-
se-á o SENHOR de milhares de carneiros, ou de dez mil ribeiros de azeite? Darei
o meu primogênito pela minha transgressão, o fruto do meu ventre pelo pecado da
minha alma? Ele te declarou, ó homem, o que é bom; e que é o que o SENHOR pede
de ti, senão que pratiques a justiça, e ames a e andes humildemente com o teu Deus?
(Almeida Corrigida e Revisada Fiel).
INTRODUÇÃO
Normalmente quando falamos sobre liturgia, nós discutimos coisas que na verdade
não tocam o cerne da liturgia. Discute-se, por exemplo, sobre tipos de liturgia: mais
tradicional ou mais ‘renovada’? Com cânticos ou hinos? Qual o tipo de vestuário
adequado para uma liturgia? Penso que, com tais discussões, somente nadamos na
superfície. Não chegamos ao foco da liturgia que agrada a Deus.
Explico. Creio que uma leitura nos profetas nos proporciona bons parâmetros de
uma liturgia ou de um culto que agrada a Deus. Quando lemos textos como esse de
Miquéias, bem como os de Amós, Oséias e Isaias, normalmente vêm-nos à mente uma
noção de culto, qual seja, Deus abomina uma adoração desassociada de nossa vida e de
nosso caráter. Veja, por exemplo, Amós 5.14,21-24. Alguém já disse que o problema
do povo de Israel não era a falta de culto, mas a falta de moralidade. O povo cultuava,
mas em seu cotidiano praticava a injustiça e oprimia os fracos. Mas, muito mais do que
celebração, o que Deus espera é um estilo de vida condizente com a Palavra de Deus.
Então somos instigados a viver uma vida íntegra; não adianta se prostrar diante de
Deus, e viver uma vida corrupta; não adianta dizermos que amamos a Deus em nossos
cânticos se o pecado reina em nossas vidas; não adianta batermos palma em nossos
cânticos se nosso coração não pulsa pela presença de Deus todos os dias; também não
adianta dizermos que temos a liturgia correta, que cantamos os hinos tradicionais com
letras profundamente teológicas, se ao decorrer da semana não temos temor a Deus.
De fato, tal leitura dos profetas é interessante e instiga-nos a uma nova postura diante
de Deus. Entretanto, parece-me que, com essa leitura, ainda não atingimos o foco dos
profetas. Mas mediante esse texto de Miquéias podemos fazer um bom exercício de
entendimento sobre qual era o culto que Deus realmente deseja.
Mas antes de analisarmos o texto de Miquéias, é preciso fazer outra observação
introdutória. Por uma simples leitura do verso 8 de Mq 6, percebemos que há três
declarações: ‘pratiques a justiça’, ‘ames a misericórdia’ e ‘andes humildemente com
teu Deus’. Uma boa homilética requer que expliquemos as três sentenças em separado.
Mas comparmentizar o verso seria prejudicial à compreensão da mensagem do profeta.
Luciano Robson Peterlevitz é professor de Antigo Testamento no Seminário Batista de Campinas.
Doutorando e Mestre em Ciências da Religião, na área de Bíblia, pela Universidade Metodista de São
Paulo. É pastor na Missão Batista Vida Nova, em Nova Odessa/SP.
Temos a mania de pensar nos valores do reino de Deus em compartimentos diferentes:
amor é uma coisa, justiça é outra; andar com Deus é uma coisa, praticar a justiça é
outra; liturgia é uma coisa, justiça social é outra. A meu ver, esse tipo de abordagem
engessa nossa compreensão do que é realmente o culto que agrada a Deus.
A LITURGIA E A PRÁTICA DA JUSTIÇA
Vejamos o que o texto diz: “que pratiques a justiça”. Aqui está o foco. Porque achamos
que culto é uma coisa, e praticar a justiça é outra? O que tem haver liturgia com serviço
ou com justiça social?
Atentemos para a definição do termo ‘liturgia’:
O vocábulo "Liturgia", em grego, formado pelas raízes leit- (de "laós", povo) e -urgía
(trabalho, ofício) significa serviço ou trabalho público. Por extensão de sentido, passou
a significar também, no mundo grego, o ofício religioso, na medida em que a religião
no mundo antigo tinha um carácter eminentemente público (...) No princípio, a palavra
não era utilizada para designar as celebrações dos cristãos, que entendiam que Cristo
inaugurara um tempo inteiramente distinto do culto do templo. Mais tarde, o vocábulo
foi adoptado, com um sentido cristão. (Wikipédia)
Aqui está o ponto importante. Originalmente liturgia era serviço. A noção de liturgia,
entre os antigos gregos, se traduzia em trabalho público que beneficiava o povo de
forma geral. Por exemplo, quando se fazia um mutirão para se abrir uma estrada ou para
se fazer qualquer benefício público, dizia-se que uma ‘liturgia’ foi realizada.
Entretanto, ao decorrer do tempo, liturgia passou a significar celebração. ‘Atos
litúrgicos’ foi reduzido à ordem seguida numa celebração cúltica.
Mas na verdade, na prática do serviço ao próximo estamos no cerne da liturgia.
Voltamos assim à origem do termo ‘liturgia’. E a mensagem dos profetas alinha-se a
essa idéia. Nos profetas (Miqueías, Amós, etc.), a prática da justiça é a própria liturgia.
Mas o que significa isso, exatamente?
No AT, o “direito” (hebraico mixpat, “juízo”) são os suprimentos que a sociedade
precisava prover aos pobres. Não era, pois, esmola. Aplicando aos nossos dias, o mixpat
é o direito que os empobrecidos têm de receber da sociedade as coisas necessárias para
sua existência: comida e terra. Assim, de acordo com Mq 6.8, andar humildemente
com Deus implica num envolvimento em práticas sociais que possibilitem aos pobres o
recebimento daquilo que lhes pertence por direito.
“O direito é o de obter da sociedade o apoio na necessidade e na crise, em meio aos
parentes e à comunidade”, diz o Dr. Milton Schwantes. Este mesmo pesquisador
pergunta sobre qual o significado dos pobres, na Bíblia. Diz ele: “O termo pobre é
usado no Antigo Testamento e na Bíblia de modo diferente do que nós o usamos. Nós
damos aos pobres o sentido de carentes. A Bíblia o entende como quem tem o direito de
reivindicar os direitos sociais garantidos. Na tradição bíblica, um pobre não pede (não é
pedinte), mas exige sua parcela da sociedade.”
A PRÁTICA DA JUSTIÇA E A NOSSA ESPIRITUALIDADE
O que tem haver, pois, nossa espiritualidade com a prática da justiça? O que tem haver
o amor com justiça social? O que tem haver prática da justiça com nossa comunhão com
Deus? Ora, tudo isso tem tudo a haver! Vejamos.
Ele praticou o direito e a justiça! E corria tudo bem para ele! Ele julgou a causa do
pobre e do indigente. Então tudo corria bem. Não é isto conhecer-me? (Jr 22,15-16).
Para este profeta, conhecer a Deus é praticar a justiça.
João, o ‘discípulo do amor’, afirma que a confissão de que Cristo “Ele é justo” implica
num modo de agir no mundo: Se sabeis que ele é justo, reconhecei que todo aquele
que pratica a justiça nasceu dele (1Jo 2,29). Assim, a prática da justiça é o sinal de
nascimento em Deus.
Creio que com essas considerações em mente, podemos fazer uma nova leitura de
Mateus 6.33. Sempre ouvi que buscar o ‘reino de Deus’ e a ‘sua justiça’ em ‘primeiro
lugar’ significa dar prioridade às atividades da Igreja. Mas, veja: o texto não
diz ‘Igreja’, mas sim ‘reino de Deus’ e ‘sua justiça’.
O Reino de Deus está onde as coisas são exatamente do jeito como Deus quer que
sejam. O que é, então, buscar o reino de Deus e a sua justiça? É lutar para que o pobre
tenha dignidade. Não é só contribuir para a reestruturação de um país vítima de um
terremoto, como no caso do Haiti, mas é lutar para que os habitantes daquele país
tenham vida digna, e, à semelhança dos profetas bíblicos, denunciar os órgãos públicos
ou nações que viabilizam a pobreza daquele país. Buscar o reino de Deus e sua justiça é
lutar para que as crianças de rua e em situação de risco tenham direito à vida plena. Isso,
e muito mais, é buscar o reino de Deus e sua justiça!
Lembremos das palavras do Senhor: todas as obras que fazemos aos ‘pequeninos’,
fazemo-las para o próprio Senhor (Mt 25.31-46)!
CONCLUSÃO
Qual é a liturgia que agrada a Deus? É aquela que ora: “venha o teu reino, faça a
tua vontade, assim na terra como no céu” (Mt 6.10). É aquela que pratica a religião
verdadeira: visitar os órfãos e as viúvas (Tg 1.27). Liturgia é serviço ao próximo. A
liturgia que Deus pede, diz Miquéias, é a prática da justiça social. Sem isso, não temos
autoridade para dizer que andamos humildemente com Deus.
Luciano R. Peterlevitz1
Miquéias 6.6-8:
Com que me apresentarei ao SENHOR, e me inclinarei diante do Deus altíssimo?Apresentar-me-ei diante dele com holocaustos, com bezerros de um ano? Agradar-se-á o SENHOR de milhares de carneiros, ou de dez mil ribeiros de azeite? Dareio meu primogênito pela minha transgressão, o fruto do meu ventre pelo pecado daminha alma? Ele te declarou, ó homem, o que é bom; e que é o que o SENHOR pedede ti, senão que pratiques a justiça, e ames a e andes humildemente com o teu Deus?(Almeida Corrigida e Revisada Fiel).

Escrito por FTL Campinas Ter, 07 de Junho de 2011 01:34

   

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